Cuidar de pais com Alzheimer sem se sobrecarregar…

Cuidar de pais com Alzheimer não é algo para o qual a gente se prepara na vida. Eu não me preparei.

Eu tinha 42 anos, uma rotina cheia, trabalho, casa… e, aos poucos, comecei a perceber que minha mãe já não era mais a mesma. Foi aí que comecei a entender, mesmo sem querer, o que significa dar dignidade e assistência aos pais com Alzheimer na prática.

Tudo começou com pequenos esquecimentos. Com o passar do tempo vieram as histórias repetidas e, pouco depois, surgiram confusões que já não dava mais para ignorar.

Junto com isso, veio aquela sensação angustiante de insegurança. Afinal, eu tinha muito medo de errar, de não conseguir ajudar e de não ser forte o suficiente.

Ao longo desse caminho, fui percebendo que zelar por familiares com Alzheimer vai muito além de tarefas do dia a dia. Na verdade, envolve paciência, adaptação e, principalmente, muito acolhimento. Se você está passando por isso agora, talvez esteja sentindo algo parecido. E, antes de qualquer orientação, quero te dizer uma coisa importante: você não está sozinha e não precisa fazer tudo perfeito.

Nas próximas linhas, vou te ajudar a entender melhor como lidar com esse momento da vida e, além disso, como cuidar de pais com Alzheimer de forma mais leve e possível dentro da sua realidade.

Como cuidar de pais com Alzheimer: por onde começar

Naquela época, eu me sentia completamente perdida. Apesar de tentar ajudar minha mãe, ainda não entendia o que estava acontecendo. Sem perceber, porém, estava começando a aprender, na prática, o que significa zelar por pais com Alzheimer no dia a dia.

Em alguns momentos eu corrigia. Em outros, insistia demais. Também havia dias em que o cansaço me fazia perder a paciência e depois, vinha a culpa. Afinal, nem sempre é simples a gente a lidar emocionalmente com tudo isso.

Foi então que eu comecei a pesquisar mais sobre i assunto. Li bastante coisa, procurei artigos, materiais mais técnicos e conteúdos mais simples. Meu objetivo era encontrar uma forma mais leve, humana e respeitosa de como acolher os pais com Alzheimer.

Com o passar do tempo, fui percebendo que tomar conta de pais com Alzheimer vai muito além de ajudar nas tarefas. Na realidade, é sobre compreender, adaptar e, principalmente, ter paciência com o processo.

No fundo, o que eu queria era entender tudo aquilo para poder cuidar melhor dela. E é isso que eu quero fazer aqui com você: compartilhar, de maneira simples, o que fui aprendendo ao longo do caminho, para também te ajudar a zelar por familiares com Alzheimer com mais segurança e tranquilidade.

Primeiros sinais de Alzheimer nos pais que você não deve ignorar

Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria prestado mais atenção aos sinais iniciais, afinal, eles estavam lá, no entanto, eu não sabia identificar. Alguns deles são:

  • Esquecimento de coisas recentes;
  • Repetição de histórias;
  • Dificuldade com tarefas simples;
  • Confusão com horários; e…
  • Mudanças de humor

Na época, eu achava que era “coisa da idade”. Porém, estudando melhor, encontrei materiais do próprio governo que explicam esses sinais de forma bem clara.

A fim de ilustrar um pouco melhor sobre essa fase, trouxe aqui alguns conteúdos mais técnicos que ajudam muito a entender a doença e o que está acontece com nossos velhinhos neste período onde devemos dedicar muito amor, dentre eles separei esse link: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer

Demência e Alzheimer: qual a diferença e por que isso importa?

Outra coisa que eu só entendi depois de pesquisar bastante:

Alzheimer é um tipo de demência, mas nem toda demência é Alzheimer, como por exemplo: demência vascular, demência relacionada ao alcoolismo; demência frontotemporal são algumas delas.

Diante dessas informações e indo mais além, encontrei alguns artigos científicos que explicam tudo de forma mais aprofundada. São leituras mais longas, no entanto, valem muito a pena para quem quer entender melhor a doença: https://www.scielo.br/j/cenf/a/8N5pZryQ6nsgBVbbxLGJhyp/?lang=pt

No fim, o que mais importa é saber que o cuidado vai exigir adaptação, independentemente do tipo.

Por outro lado, é um momento de muita descoberta, de amor, dedicação que agora é de nós para eles.

Como acolher e amparar os pais com Alzheimer no dia a dia:

Conciliar vários aspectos da rotina, no início, foi a parte onde eu mais tive descobertas mas, também onde mais errei. Porque não é um aprendizado que a gente nasce sabendo, aliás, você aprende bastante ao lidar com isso no desenrolar dos dias. Com o tempo, fui fazendo ajustes e algumas coisas fizeram muita diferença:

A)     Criar uma rotina previsível:

A rotina virou um dos pilares aqui em casa. Coisas simples como:

  • Acordar sempre no mesmo horário;
  • Manter horários fixos para refeições;
  • Criar pequenos rituais ao longo do dia (exemplo: café da manhã sempre no mesmo lugar, pequenas caminhadas ou atividade leve em seguida, almoço e jantar sempre no mesmo horário, banho no final da tarde e momentos de descanso organizados).

    Isso traz segurança e reduz bastante a ansiedade.

B)     Falar de forma simples e amorosa:

Aqui econtrei um dos maiores aprendizados, ao invés de interrogar, acolher…

  • No começo eu dizia:

“Mãe, você já tomou seu remédio? Eu falei que precisava tomar agora, lembra?”

  • Depois troquei para:

“Vamos tomar o remédio agora?”

      Outro exemplo de como mudei a forma de falar:

  • Antes:

“Mãe, você esqueceu de novo?”

  • Depois substitui por:

“Tá tudo bem, eu te ajudo”

Parece pequeno, mas essa fala mais carinhosa muda completamente a reação deles.

C)    Adaptar a casa com pequenas mudanças:

Não precisa fazer grandes reformas. Pequenos ajustes ajudam muito:

  • Deixar remédios organizados e visíveis;
  • Evitar tapetes escorregadios;
  • Melhorar a iluminação;
  • Usar calçados confortáveis (prefira chinelos à sapatos); e,
  • Manter objetos sempre no mesmo lugar.

D)    Estimular com leveza e sem pressionar:

Aqui entra algo muito bonito: A Conexão.

Você pode estimular com perguntas simples sobre coisas do cotidiano:

– “Quais música você mais gosta?”;

– “Você lembra daquele bolo que você fazia?”; e,

– “Vamos mexer no jardim, qual é sua planta predileta?”;

– “Qual era sua boneca (ou brincadeira) preferida na infância”?

 Não é sobre testar memória. É sobre manter vínculo.

Se quiser se aprofundar mais, existe um guia bem interessante sobre cuidado com demência: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202512/08093134-guia-do-cuidador-de-pessoas-com-demencia-revisado.pdf

Cuidando dos pais sem se perder no meio do caminho

Um dos pontos mais difíceis para mim, conciliar toda a minha rotina com o que estava surgindo à minha frente.

Sem perceber, eu fui deixando minha vida de lado. E isso acontece com muita gente.

Em uma das leituras que fiz, encontrei um estudo que falava exatamente sobre isso: o cuidador muitas vezes reorganiza toda a sua vida em função do outro. https://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1647-21602017000200008

Se eu puder te deixar algo importante aqui para evitar ou prevenir uma sobrecarga ao cuidar de pais com demência, tanto quanto possível:

  • Peça ajuda, não tenha vergonha, as pessoas gostam de ser lembradas como alguém útil e com capacidade para ajudar;
  • Quando possível, distribua responsabilidades entre irmãos, sobrinhos e outros familiares ou profissionais especializados (mesmo que em período parcial);
  • Se estiver sozinha, busque grupos e redes de apoio com vizinhos, amigos, pessoal da igreja;
  • Converse com profissionais da saúde; e
  • Respeite seus limites, encaixe um tempo para fazer coisas que te tragam prazer.

Por vezes, tudo o que precisamos é conversar com quem entende exatamente o que estamos passando. Criamos um Grupo de Apoio no WhatsApp onde compartilhamos acolhimento, dicas reais e o carinho necessário para seguir em frente com equilíbrio.

Você pode entrar no nosso grupo do WhatsApp enviando uma mensagem para o número (11) 9.12345678.

Erros comuns ao cuidar de pais com Alzheimer

Eu cometi vários:

• Tentar corrigir o tempo todo.
Prefira acolher e redirecionar.

• Discutir ou confrontar.
Respire suave. Mantenha a calma e simplifique as coisas.

• Assumir tudo sozinha.
Dívida responsabilidades. Busque rede apoio com familiares, amigos, igreja, home care.

• Ignorar o próprio cansaço ou sinais de esgotamento.
Faça coisas para o seu alívio mental, escute músicas que goste, faça meditação, leia livros leves,    

       faça uma caminhada na natureza para arejar.

Hoje eu vejo que não era falta de amor. Era falta de orientação.

Como organizar uma rotina mais leve ao cuidar de pais idosos:

Uma estrutura simplificada já ajuda muito:

  • Manhã: Higiene básica+ café;
  • Tarde: Descanso + conversa;
  • Noite: Ambiente mais calmo.

E, principalmente, não buscar perfeição.

Quando buscar ajuda

Demorei para aceitar ajuda, mas não precisava ser assim. Não espere o esgotamento físico e mental, isso pode interferir na qualidade do convívio de vocês. Pare um momento e anote sobre as pessoas ao seu redor e considere ajuda profissional, sempre que possível.

Pode ser:

  • Familiares (tios, primos, sobrinhos, irmãos);
  • Cuidador (profissional avulso com referência ou home care);
  • Profissional da saúde (buscar instrução com gerontólogos e enfermeiros da área) ;
  • Ou até conteúdo de quem vive isso (nas redes sociais tem abordagens relevantes de quem já viveu ou vive essa situação).

Esse perfil, por exemplo, me ajudou muito: https://www.instagram.com/obomdoalzheimer

Perguntas que a gente se faz sobre cuidar de pais com Alzheimer:

1) Vou dar conta de tudo?

– Não sozinho, mas, tudo bem.

2) É normal me sentir cansado?

– Sim. O cuidado é emocionalmente exigente.

3) Preciso saber tudo desde o início?

– Não. Você aprende ao longo do caminho.

4) Quando devo procurar ajuda?

– Quando sentir que está ultrapassando seus limites. Mas, não espere muito.

5) Existe uma forma certa de cuidar?

– Existe a melhor forma possível dentro da sua realidade e com amor.

Um fechamento importante

Se você chegou até aqui, provavelmente está vivendo isso.

Sei que a jornada de cuidar de quem amamos exige muito, e você não precisa carregar esse peso sozinha. Para te ajudar no dia a dia, preparei o Guia Prático: Rotina Leve para Pais com Alzheimer, com checklists de organização e dicas de adaptação da casa.

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